A Motivação

Cansados da vida de trabalhar, pagar contas, trabalhar, pagar contas, e no fim do ano gastar o pouco que juntou com viagens rápidas, prorrogamos até que demais o nosso impulso para deixar o grande centro urbano que vivíamos, São Paulo. O sentimento de ser escravo de um sistema que te faz consumir (aluguel, transportes, alimentos, água, luz, internet, telefone, roupa para trabalhar, tratamentos para aguentar o stress…), já incomodava seguramente a mais de 10 anos.

Já havíamos abandonado a televisão. Isso foi essencial porque a vida era mais leve, com menos medo. O medo que nos apodrece por dentro, nos imobiliza e nos torna apáticos ao sofrimento alheio. Já havíamos plantado uma mini floresta urbana e comido da nossa própria banana, ora-pró-nobis, usado nosso próprio remédio como o gel da babosa de nosso jardim e óleos essenciais para tratar fungos e bactérias indesejadas, já recolhíamos a água de nosso telhado e até nossa própria cerveja já fabricávamos, mas mesmo assim era insuficiente!

A vontade de ir para a terra plantar, colher, viver coletivamente, construir a própria casa, cuidar da nossa saúde física e emocional, estava latente, e quanto mais nos questionávamos nosso propósito de vida, mais essa vontade gritava!

Não fazia sentido não termos tempo para nosso desenvolvimento pessoal como estudar e ler tantas coisas que nos fascinam, meditar para aprender a lidar com nossos sofrimentos e evitar fazer outros sofrerem, ter tempo para atividades físicas, plantar e  ver o desenvolver de uma planta, fazer música, escrever, pintar, consertar nossas roupas, fabricar nossas ferramentos, experimentar, fazer cerveja e outras bruxarias e por fim tomar banho de água limpa corrente. Perceber  a falta de tempo para essas simples (mas não poucas) demandas nos deixou claro que devíamos nos afastar da metrópole. Mas onde? fazer o que? como?

Continuamos com essas mesmas dúvidas, mas agora na estrada, para onde os bons ventos nos levarem. Por enquanto gastando o pouco que conseguimos guardar, e tentando achar outras formas de sustentabilidade para continuar nossa busca, apostamos na generosidade e cooperação para nos mantermos na estrada por algum tempo, até encontrarmos um lugar para construir nosso lar.

Daí surgiu a ideia de passar um tempo se nutrindo com história de outras pessoas que haviam mudado de vida, aprender com essas  experiências, conhecer novos lugares no Brasil e assim podermos realizar nosso o êxodo urbano.

Karine (Foz) é natural de Foz do Iguaçu, Documentarista, shiatsuterapeuta e acupunturista. Adora compartilhar o que a vida já lhe ensinou e aprender um tanto de coisas novas principalmente conhecimento que nos deixam independentes da agressiva cultura do consumo.

André é computeiro e entusiasta da segurança e democratização da informação e do conhecimento.  Descobriu a Yoga a alguns anos e se dedica ao seu estudo e prática.